O que Deus deu para essa mulher de talento para desenhar, tirou no talento para escrever…
Essa não é a pior obra da Harada, mas tá longe de ser a melhor. Apesar do traço LINDÍSSIMO (não dá pra negar que a cretina desenha bem) e do humor presente, Yatamomo é uma história pesada, banalizada e fetichizada.
Em resumo: Yata é um gostoso que acolhe Momo, um garoto de programa todo ferrado, mas com uma lábia absurda. Eles começam a viver juntos e desenvolvem um relacionamento intenso e sexualizado. Óbvio que no Brasil isso acabaria em morte, mas aqui termina em muito coito, dependência e altos e baixos.
Momo (que na verdade se chama Momoto KKKKKKKKKKK “Momoto” KKKKKKK) tem visual infantilizado (o que incomoda), mas a personalidade de pilantra trambiqueiro e é completamente pervertido. Essa personalidade quebrada vem de um passado grotesco, TENEBROSO e triste. Harada novamente apela para temas pesados como abu**, vício e ped***. Sério, mulher, vai se tratar. Sei que infelizmente pessoas como Momo existem na vida real e sofrem coisas similares ou até piores, mas escrever uma história sobre isso de forma explícita e detalhada, e ainda tentar romantizar e colocar um arco de redenção, ao mesmo tempo que surfa na onda da esperança e do positivismo, cai no clichê de banalizar um tema sério a troco de entretenimento…
É louco pensar que a mesma autora de One Room Angel escreveu algo assim. Se você garimpar, até encontra camadas emocionais, humor e uma leve tentativa de redenção e esperança no final. Mas, a que custo?
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